Jorge Ribeiro é jornalista há 35 anos e coloca, esta sexta-feira, nas livrarias o seu livro «Capital Mueda» que segundo João Paulo Borges Coelho "só quem foi protagonista pode descrever a Guerra Colonial desta maneira".
Pezarat Correia diz de «Capital Mueda» que "era este o clima de guerra", ou ainda como salienta Inácio Semedo: "a tensão da guerra fielmente retratada nas suas facetas mais dramáticas".
Em Moçambique, para onde foi mobilizado em finais de 1971, fez reportagem de guerra durante 27 meses. No regresso, seleccionou a Coluna Mueda-Nangololo como um dos trabalhos que mais o marcaram - acima de tudo pela importância, dimensão, significado e resultados da operação, desencadeada na mítica capital da guerra portuguesa em África, Mueda.
A Secção de Reportagem do Destacamento Fotocine, que chefiou, também recebia ordens da RTP, onde o responsável pela informação era o mesmo oficial que, a partir de Lisboa, controlava o que se passava nos três teatros de guerra. Os serviços da Censura faziam o resto. Muita da película que Jorge Ribeiro impressionou não chegou aos ecrãs, mas os seus textos sobreviveram.
Foi o que aconteceu com «Capital Mueda», uma das referências na Literatura da Guerra.
Publicado por dizerbem em outubro 24, 2003 02:06 AMAcho importante que as editoras se empenhem na divulgação de uma fase da nossa história que teve consequências desastrosas. Não estive lá, o meu marido também não, mas lemos os livros de Jorge Ribeiro e de outros autores que viveram a guerra - e penso que ainda há muito por contar, isto é desvendar. Sou professora do Secundário, e sempre que posso leio passagens de outro livro de Jorge Ribeiro, as «Marcas», para eles terem uma ideia do que foi a nossa guerra em África. Numa altura em que estão a aparecer vozes do «antigamente», umas afirmando que ganhámos a guerra do Ultramar e outros garantindo que não houve guerra nenhuma, que foi uma invenção da Oposição ao regime, devemos DIZER BEM de iniciativas literárias como esta de voltar a editar CAPITAL MUEDA.
Marta Ferreira
Estava aqui a documentar-me e tentar pôr em ordem as minhas recordações de Mueda,pois estive lá em Maio de 1974,quando aquilo foi atacado com o "122".Estávamos entre o arame farpado e a povoação...
Falar sobre Mueda ficará para a proxima ,estou de tal ordem ansioso ,que nem consigo escrever mais.....
Hei-de preparar-me e conseguir dizer algo sobre"aquilo" onde acamaradagem era mais sadia que a propria aragem....
" Mueda Terra da Guerra, aqui trabalha-se luta-se e morre-se, checa é pior que turra"
Este era o conteúdo da placa que anuciava a chegada a Muedae foi lá que durante 11 meses vivi.
Para os senhores que poem em causa a existencia da guerra, só gostaria que tivessem feito a picada Mueda-Omar e a picada Mueda-Nangololo, para saberem o que é medo, amargura, desespero e como no meio de tanta aflição se gerava a solidariedade.Horácio Soares
A história da Guerra Colonial tem vindo a ser feita, tanto quanto possível, por quem nela participou. Não é fácil falar dela, mas parece que o tempo nos obriga a testemunhos, mais tarde ou mais cedo, pois como diz a Marta Ferreira no comentário acima, já por aí anda outra vez quem tenta "branquiar" a história.
(Furriel Miliciano ex-combatente)